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Sem mediação

  Para onde você vai quando precisa se ouvir? São tantas vozes externas nos ditando o que fazer ou como viver nossas vidas. Vozes e imagens externas nos empurrando goela abaixo uma visão capitalista de sucesso, uma visão capitalista de boa aparência, boa forma, boa vida. Desgraça é interiorizar o que devia ficar fora  e nos medir por tais vozes e imagens. Como a cama de Procusto cuja medida é insuficiente para nos conter, seguimos passivamente aceitando ser esticados ou amputados para caber num padrão que nega a diversidade de corpos e vivências. É assim que nos negamos e passamos para uma sobrevida, adoecidos e fora do tom da nossa própria essência. Para onde você vai quando precisa se ouvir? O colo de um familiar, os braços de uma amiga, a sala de uma terapeuta? Tudo isso, embora tenha imensa valia, é ainda um encontro mediado. Onde você encontra você mesma? O caminho aponta para dentro. Os olhos voltados para fora, os ouvidos a captar sons externos pedem pelas paisagens e s...

Tempo de descascar

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Caranguejo também descasca. Mas ninguém vê. Quando vai descascar, ele se interna no meio do mangue, no lugar mais fundo, e faz um buraco que ninguém alcança com o braço. Lá embaixo, ainda faz uma rolha de mato, o “matumbo”, daí o nome “caranguejo matumbado”, e descasca. É dificílimo encontrar um caranguejo desses. https://revistacontinente.com.br/secoes/materia-corrida/caranguejo- Tudo matizado pela luz da lua e seu tom Pesada, densa, cheia  Irritável, irracional, sazonal Dificuldade em sustentar o passo,  o sono,  a palavra.... O que alcança seu ápice  Segue seu declínio natural Nessa virada  Subidas e topos se convertem  rapidamente  Em descidas bruscas, íngremes e escorregadias.  Tudo é beira de algum abismo  O que os sonhos não trazem em palavras Sussurram através da imagens Proféticas e bestiais: Um caranguejo aperta minha barriga  Está do lado direito, próximo ao umbigo Belisca minha carne  apertando fundo  Consigo arranc...

Lavando as próprias cuecas (ou revendo os privilégios)

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Dedicado a todas as mulheres que pereceram na luta por suas próprias vidas.   O convido a sair da Casa dos Homens - essa carapaça dura e impermeável dentro da qual há apoio, acolhimento  e nenhuma necessidade de se questionar sobre suas ações, omissões e silêncios. Aí você está milenarmente legitimado em seu poder. No entanto, essa estrutura não te permite crescer para além do seu phalo.  Talvez não te interesse crescer e assumir as responsabilidades. No entanto, o quarto do Barba Azul foi aberto. O sangue de mulheres já escorre por todos os cômodos desta casa . E não pode mais ser ignorado.  Este sangue também está em suas mãos, ainda que você diga que não é todo homem.  Mas é sempre um homem, mais um assassino, os responsáveis por essas mortes todas.  Neste primeiro momento vamos circular a casa dos homens. Olhar por fora a estrutura pode nos ajudar a destroná-la. Recorda o seu primeiro interdito. De acordo com Freud, desejar sua própria mãe é um veto....

Cuidado, pessoas!

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  O ALERTA sobre o PERIGO do CONVÍVIO HUMANO devia estar em letras GARRAFAIS , presentes em todos os cantos: letreiros de ônibus, placas, camisas, escolas. Deveríamos introjetar desde a mais tenra infância:  pessoas são frágeis, mas também: CUIDADO, PESSOAS CAUSAM DANOS! E alguns destes danos são irreparáveis.  Precisamos identificar com clareza: os sorrisos letais, os olhares armados, as escutas venenosas,  as palavras cortantes. Assim como na natureza os predadores são reconhecidos como tal, também precisamos SABER RECONHECER os predadores humanos.  Os que tratam relações como aranhas devoradoras.  Envolvendo suas presas em suas teias de mentiras e manipulações. Os que se divertem morbidamente à custa dos mais fracos, dos mais crédulos, dos ingênuos.  Os que adquiriram MAESTRIA EM SE APROVEITAR do trabalho, do esforço e da criação dos outros.  Os que estão feridos e, portanto, cegos demais para não ferir também, para não descontar sua desgraça...