Sem mediação

 Para onde você vai quando precisa se ouvir?

São tantas vozes externas nos ditando o que fazer ou como viver nossas vidas.

Vozes e imagens externas nos empurrando goela abaixo

uma visão capitalista de sucesso,

uma visão capitalista de boa aparência, boa forma, boa vida.

Desgraça é interiorizar o que devia ficar fora 

e nos medir por tais vozes e imagens.

Como a cama de Procusto cuja medida é insuficiente para nos conter,

seguimos passivamente aceitando

ser esticados ou amputados para caber num padrão

que nega a diversidade de corpos e vivências.

É assim que nos negamos e passamos para uma sobrevida,

adoecidos e fora do tom da nossa própria essência.

Para onde você vai quando precisa se ouvir?

O colo de um familiar,

os braços de uma amiga,

a sala de uma terapeuta?

Tudo isso, embora tenha imensa valia, é ainda um encontro mediado.

Onde você encontra você mesma?

O caminho aponta para dentro.

Os olhos voltados para fora,

os ouvidos a captar sons externos

pedem pelas paisagens e sons 

que estão no seu mundo interno.

Volte para o seu centro,

da sua fonte de vida.

Somente o encontro com seu ser profundo 

poderá te trazer paz e cura, 

paz e canto, 

paz e acalanto.

Você é seu próprio mapa.

Em você está o seu próprio manancial de sabedoria.

Você já se ouviu hoje? 

O que tem feito com as vozes que você escuta? 


(Escreve pra mim?!)

Tati




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