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Life Goes On

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Passei muitas noites imaginando seus beijos. E imaginando nossos corpos – um. Assisti com tristeza as trocas que foram morrendo pelo curto caminho. Frágeis flores que me pareceram reais. Então me permita através destas palavras Despedir-me do que foi e poderia ter sido. Acho que eu me iludi. Acontece! A fissura abrandou. Agora resta pouca chama, o bastante para clarear a ilusão. O bastante para enterrar a lembrança dos seus beijos e do seu corpo nu. O bastante para voltar para mim mesma. Afinal a vida continua e assim por diante. (Tatiane)       
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 " As lágrimas fazem parte do conserto de rasgos na psique (...)" (Estés)  Choro como quem compõe uma poesia. Elas rolam mornas e liquefeitas  sobre meu rosto, meu colo... Preenchem todo meu ambiente  e não temo me afogar. Eu sei nadar nas lágrimas salobras de mãos dadas com mamãe Iemanjá! (Tati)

O jardim das delícias

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  Para adentrar o jardim das delícias É preciso calma, presença. É mais do que corpo a corpo. É olho no olho e quanta verdade e desejo somos capazes de sustentar. É mais que a busca do gozo, é deleitar-se a cada passo. É desnudar a alma com a língua. É enxergar em aparentes imperfeições – o perfeito de cada um. As marcas, as pintas, os pelos, tudo é caminho para o abismo. E se você teme cair, aqui não é seu lugar. É preciso trocar controle por compasso. Harmonizar os ritmos, estudar os corpos. Sentir!                                                                              ...

Presença

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  Sobre as certezas que temos na vida, a nossa própria companhia é a que iremos carregar conosco enquanto durar o alento que nos anima. A qualidade dessa companhia dependerá do quanto nos conhecermos, nos apreciarmos, nos aceitarmos. As culpas, das quais conseguirmos nos redimir. Do exercício do auto perdão. Do quanto teremos conseguido apaziguar nossas guerrilhas e nossos guerrilheiros internos. Do encantamento com as nossas idiossincrasias, do entendimento com as nossas teimosias. De quantos de aprendizados somos capazes de extrair do material de que somos feitos: carne e sonhos, intelecto, sentimentos e instintos. Que sejamos capazes de estimar “a companhia que temos nos momentos vazios”* e que estará ao nosso lado na saúde e na doença, na riqueza e na pobreza, do começo ao fim das nossas humanas vidas. (Tatiane Moreira) * Referência ao poema  de Oriah Mountain Dreamer, “O Convite”: " Quero saber se você pode ve...

Dando conta de mim

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  Aprendi a dar conta da minha bagunça. A cuidar de mim através do manejo com as plantas, Regá-las com regularidade, coloca-las ao sol. Para vicejar eu também necessito De água em abundância e sol para aquecer a vulva. Tudo o que está por fazer, será feito Em acordo com o tempo interno. Por agora me debruço na janela Para esperar a lua. Preencho com música todos os espaços possíveis E danço nua com a luz apagada. Atenta, vigio o fogo interno e me deixo arder pela vida. Aprendi a dar conta da minha bagunça. Sem correr dos desafios, apesar do medo. A encarar a dentada da solidão sem me afogar nas lágrimas. A suturar os cortes que se abrem de novo, e de novo, e de novo. Por isso faço da esperança o pão nosso de cada dia. Varro as insignificâncias e assim recupero dracmas e mais dracmas perdidas. As roupas sujas que eu esfrego no tanque cheio, Encaro como abluções sagradas e respeito as manchas Que eu não consigo tirar e a lembrança não me permit...
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  Receita para dor de amor Filha, deixa doer. Não adianta segurar o que não quer ficar. Deixa ir! Ainda que lacere o coração. Ainda que ameace nossa sanidade. Esse é o momento de testemunho da fidelidade a si mesma. Se fixar no desamor, no desvalor é o mesmo que se matar. E a quem serviria essa morte? A Grande Ceifeira nos encontrará de qualquer forma. Então deixe que ela te encontre dançando e celebrando a vida, não lamentando a pobreza de um afeto desfeito. Deixa doer. Deixa ir! O valor das devastações é nos ensinar  a verdecer assim como nos mostra a  Mãe Natureza! (Tatiane Moreira)        “A árvore que passou pela poda é aquela que oferece mais frutos” André Luiz/ Chico Xavier        
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O amor me rouba o sono, me tira a fome. No entanto, ironia maior: Deixa-me em estado sonambúlico de amar. Torna-me antropofágica em desejos.                    O amor me rouba de mim feito um grileiro Com argumentos e documentos insólitos Ocupando e monopolizando afetos. O amor me lança na órbita do outro. Deixa-me vagando e gravitando entre memórias. Entretida com o brilho de estrelas Que há muito já podem estar mortas. O amor, esse sagaz andarilho, sempre nos alcança. Nos seduz com sua lábia, se aproveita de nós com sua dança. É certo que como veio, também vai embora, Não sem antes fazer ninho em nosso peito Marcar profundamente a nossa história. Tanto pode nos deixar destruídos quanto enriquecidos, Pode nos tornar amantes ou assassinos, loucos ou sóbrios. O amor é a pedra de toque da transformação Que faz o vil metal do coração Reluzir ouro de 24 quilates....