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Sobre envelhecer, amar e outras revoluções possíveis

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  43 Encontro-me no quadragésimo terceiro andar deste edifício chamado vida, um estranho edifício em espiral, que a cada volta nos recorda as muitas outras que passaram e que sentimos de alguma forma presentes em ondulações sob a pele. São justamente essas ondulações que nos marcam a tez, ou que ficam em nódulos difíceis de extirpar. É semelhante ao teste da menina num antigo conto, no qual ela sente o pequenino caroço de ervilha sob as muitas camadas de colchões sobre os quais se deita. No conto, o teste era para ver se ela seria uma boa esposa, na vida real se contextualizarmos a história podemos considerar o teste quanto as nossas percepções sobre as ondulações na espiral da vida, e apesar dos incômodos do passado sermos uma boa companhia para nós mesmas. Tudo dependerá do olhar que damos para nossa própria história, do quanto dimensionamos os acontecimentos. A história traduz exatamente como me sinto: incomodada. Não com a passagem do tempo, ou com as comuns dificuldades cotidi...

Na força das minhas ancestrais

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Há muito tempo escrevi num poema que eu descendia de uma linhagem de mulheres amargas e sofridas. E nas camadas mais próximas da minha linhagem, essa é a verdade, mas não completamente. Amargura e sofrimento não significam ausência de força. E nos alicerces, nos ossos mais profundos da minha ancestralidade estão elas:  Lilith visitando Eva, ajudando-a a vomitar a culpa que o patriarcado impôs sobre ela.  A jovem Maria corajosa, levando adiante sua gestação sagrada e também todas aquelas que exerceram o livre-arbítrio, igualmente sagrado, de não levar adiante uma gestação.  Maria Madalena, Verônica, Maria e Marta e todas as que tiveram a honra de encontrar Jesus - o doce homem - o que se fez defensor da mulher adúltera e ensinou que também nós, mulheres, podemos escolher a melhor parte e isso não nos será tirado.  As bruxas queimadas nas fogueiras da inquisição. Seus corpos ao se tornarem fumaça espargiram pela terra seus saberes, suas vivências, seus orgasmos...

Saí a semear amor

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Já entendi, Tristeza, a sua visita, os seus motivos, o seu amargor. Dos espinhos que aceitei carregar como ilusão de carinho. Mas o carinho não fere, não é mesmo?  Foi por isso que você veio, para me mostrar a ilusão.  Eu, mendigando, estendendo as mãos para quem nada tem para dar.  E o meu cesto tão cheio de tesouros. Levanta e anda - você disse sem cerimônias. Embora tenha respeitado cada lágrima  Que eu precisei chorar para expurgar o desamor.  Depois desse banho salgado me senti melhor.  O amor estava lá para me acolher, me secar, me vestir. E o mais importante: me por a caminhar.  Desde então estou a semear amor.  Faço ninho em todos os corações que queiram me receber. E voo livre como sempre fui, e não sabia.  Livre como sempre serei.  (Tati) Tristeza - canção para acompanhar a leitura.

Das pessoas que nos devolvem para nós

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Sim, há aqueles/ aquelas que nos roubam de nós, espelham nossas deficiências e falhas, não se importam com nossas lágrimas e não deixam sequer uma palavra de adeus ou um sinto muito, talvez porque não sintam nada além de si mesmos. E que se fodam! Mas há aqueles/ aquelas que se importam conosco de verdade e colocam uma lente de aumento para que enxerguemos nossas melhores qualidades, nossas delicadezas e todas as sutilezas da beleza que possuímos. Pessoas como remédio, como unguento e despejando seus olhos sobre nós restituem nossa dignidade, nos recordam a importância do amor-próprio através do amor delicado com que nos tocam. Para estes, toda paz e toda glória! Para que estamos na vida uns dos outros se não for para estender mãos, braços, colo? Para que conversaremos se não for para deitar nossas melhores palavras nos ouvidos uns dos outros? Se não for para acolher, para que conviver? Se não for para amar loucamente, por que esse coração feroz batendo no peito?

Variações sobre o mesmo tema

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Não mais sonhar posições tântricas sobre seu corpo. Vou cavalgar ventanias, envolta pelo frio de agosto.   Meus olhos insones pela madrugada deitam geadas sobre a lembrança de um gato morto num canto da rua.   Um gole de vinho seco, como está agora o canteiro da esperança.   Seca e áspera, a minha língua como devia ser a língua do gato morto num canto da rua.   Quem recolherá seu corpo? Ou enfeitará com flores sua pelagem branca?   Dizem que quando começamos a enterrar nossos mortos, alcançamos outro patamar de humanidade, demos significado a morte pranteando sobre o que se perdeu. (TMF 06/08/2021)

Mil lágrimas

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Itamar Assumpção e Alice Ruiz escreveram uma doce canção de sobrevivência feminina e a retomo aqui como quem despeja unguento em feridas: Em caso de dor ponha gelo Mude o corte de cabelo (mude como modelo) Vá ao cinema dê um sorriso Ainda que amarelo (esqueça seu cotovelo) O mais importante aí é o movimento, a dor, o sofrimento tende a nos paralisar. Mover-se e dedicar-se a alguma ação, ainda que simples como um corte de cabelo (quanta potência há num corte de cabelo quando uma mulher decide por si mesma enfrentar alguma situação!), uma ida ao cinema, o exercício de voltar a sorrir pode nos ajudar imensamente, ainda que sustentar esse sorriso não seja fácil, o façamos por nós mesmas e pelos que convivem conosco, para tanto é preciso esquecer o próprio cotovelo. Se amargo for já ter sido Troque já esse vestido (troque o padrão do tecido) Saia do sério deixe os critérios Siga todos os sentidos (faça fazer sentido) A cada mil lágrimas sai um milagre Quebrar padrões, mudar a...
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Avô, peço a morte para as partes de mim Que não ouvem, nem falam a verdade Que são cegas de mais para ver. (Jamie Sams – As cartas do Caminho Sagrado) Na sabedoria dos povos da América nativa, toda morte representa o início de um ciclo de vida. No girar da roda da vida, todos chegaremos aos lugares e encontros com pessoas com as quais teremos lições a aprender. E uma vez aprendida, a roda segue seu giro, nos apresentando ciclos de morte e renascimento. Sinta se o seu ciclo atual de vida está se iniciando, ou finalizando? Saber isso é importante, exatamente por lhe ajudar a nortear os seus passos. Todo início é como um recém-nascido precisa de cuidado, atenção, alimentação adequada, amor. A ausência destes cuidados, faz com que morram oportunidades preciosas de que seu novo ciclo cresça saudável, esse novo ciclo pode ser um relacionamento, uma nova fase no trabalho, a oportunidade de resgatar laços com familiares. Como você tem tratado os inícios dos seus ciclos? Quantas oportun...